domingo, 19 de agosto de 2007

Para alívio dos fãs, repertório de Ana Carolina ainda tem "voz e violão"




Por Luciana Oliveira

Ana Carolina sempre é recebida de braços abertos no Recife, mesmo que não tenha dado tempo de sentir saudades dela. O último show na cidade, aliás, foi ainda em novembro no ano passado, com a turnê Estampado. Mas dessa vez, com dois hits emplacados nos folhetins de horário nobre da Rede Globo (Carvão, interpretado por ela mesma, e Ruas de Outono, de quem é co-autora), deu a impressão de que o Chevrolet Hall nunca esteve tão cheio para receber a mineira quanto no último sábado (18).
Depois dos 40 minutos da apresentação da pernambucana Nós Quatro, os fãs tiveram que esperar até pouco antes da meia-noite para que Ana Carolina subisse ao palco com sua turnê do novo disco Dois Quartos. O atraso foi motivo de vaia e zum zum zum. Segundo os comentários na platéia, adiar o início do show já é praxe da cantora. Mas quando ressoaram os primeiro acordes e dissiparam-se as reclamações, a tirar pelas expressões um pouco constrangidas, talvez atônitas e, principalmente, curiosas, a platéia parecia a um triz de exclamar “Carolina tarda, mas não falha”.
Os fãs recifenses não negam: a cada apresentação eles esperam a Ana Carolina voz grave e violão afinado, MPB de barzinho, happy hour de noite de sexta-feira. Aquela Ana Carolina do começo da carreira, no final da década de 90, que entoava um couro sentimental com sucessos com Confesso. Dessa vez, porém, a apresentação teve direito haste do microfone atirado ao chão do palco e, principalmente, insinuações nada discretas de seu universo bissexual, já escancarado em capa de revista de circulação nacional.
É que a mineira abriu o show com um pot-pourri que incluía uma das faixas do novo CD, Eu Comi a Madona, acompanhado de cenas no telão, ambientadas em algum momento como a década de 30. Enquanto isso, Ana Carolina fazia sua nova apresentação mais performática do que nunca, agachando-se e fazendo gestos, caras e bocas. É essa abertura que tem sido motivo de polêmica no eixo Rio-São Paulo, por onde a turnê já passou. Mas os fãs acreditam que o vídeo exibido no Recife foi editado e algumas cenas, censuradas. Resultado: as moças de roupa íntima brincando num quarto pareceram mais meigas do que sensuais, como andava alardeando a imprensa.
A noite do último sábado foi o dia de outra primeira vez, além dessa performance ousada. Foi a estréia da mineira ao pé de um piano em palcos recifenses, durante a interpretação do sucesso É Isso ai. A música é uma versão assinada por Ana Carolina e Seu Jorge para a música-tema do longa americano Closer.
O show deste final de semana foi dedicado às músicas do novo CD e a apresentar ao público pernambucano as novidades na carreira de Ana Carolina. E como a tendência é ser mais comercial do que intimista, Carolina não mediu esforços para agradar a gregos e troianos. Até os fãs que não abrem mão da Ana Carolina em sua primeira versão, quem diria, ganharam capela, pandeiro, coro de Louca Tempestade, de Garganta e, claro, de Confesso.

Um comentário:

Ma disse...

Gente, me mande o e-mail dessa senhora que escreveu esse artigo. "Entoava um couro"? "não dá tempo de sentir saudade" sendo que a última apresentação da Ana foi em novembro? Tá precisando aprender a escrever, essa dona.